Homenagem a Armando Gibert

O nome de Armando Gibert anda um pouco esquecido e não é, segundo o nosso ponto de vista, convenientemente recordado como físico, mormente na sua meritória tarefa de ter ensinado e transmitido os seus conhecimentos, a radiologistas, sobre a acção biológica das radiações.

Tendo nascido em Lisboa a 1 de Agosto de 1914, viria a falecer em 6 de Julho de 1985, na mesma cidade.

  Recordemos um pouco a sua memória.

Com 24 anos de idade licencia-se em Ciências Matemáticas pela então Faculdade de Ciências da Universidade Clássica de Lisboa.

Logo muito cedo começa a dedicar-se ao ensino da física, tendo Valadares como seu orientador.

Após quatro anos de se ter licenciado Gibert, vai para a Suiça, onde, sob a orientação do muito célebre Professor Scherrer do Instituto de Física da Eidgenossische Technische Hochschule, de Zurique, encaminha os seus trabalhos de investigação para o seu doutoramento que em breve alcançou. Com 32 anos de idade faz o seu Doutoramento em Física.

 Estávamos no ano da Graça de 1946. 

Um ano mais tarde é afastado da Universidade de Lisboa, para em 26 de Abril de 1974, vir a ser reintegrado de acordo com a matéria legal expandida nos termos do Decreto-Lei nº173/74.

Não obstante no contexto limitativo em que se encontrou, Gibert,

trabalhou no Instituto Português de Oncologia de 1946 a 1953, onde como referimos anteriormente ajudou a projectar as bases da Protecção Contra Radiações, dedicando-se ao estudo da interacção das radiações com o meio biológico.  

Tendo deixado, o IPO, ingressa no LNEC, desde o ano da saída do organismo referido até 1960.  

Foi um dos grandes obreiros da estrutura que se criou relativamente à Indústria Nuclear, na altura ainda ridente.

O aparecimento da Gazeta de Física, trave mestra da Sociedade Portuguesa de Física, deve-se a Armando Gibert.

Autor de numerosos artigos em várias revistas de grande  autoridade científica, o seu nome anda ligado à prestigiada  revista “Engenharia Nuclear”, hoje inexistente.

Tive o grato privilégio de o conhecer quando foi Director da revista “Energia Nuclear”, propriedade do “Fórum Atómico Português”,aquando da publicação dum trabalho sobre Protecção Contra Radiações. Era aliás editor  Marques Videira.

 

João Quintela de Brito